quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

"Ler devia ser proibido"

Existem textos que são irretocáveis. A abordagem do tema "Leitura" promovida por Guiomar de Grammon, utilizando o atalho de irônica negação, é um convite a refletirmos sobre condutas políticas que se contém em agendas assistencialistas, bem como outros problemas, tão brasileiros, a exemplo da acessibilidade. O preço da boa leitura a torna cada vez mais distante dos jovens e da população em geral.

Esta é uma pequena versão na voz de Lázaro Ramos:



Aqui o texto na íntegra:

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebida. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

O natal do Pocoyo

Adoro este desenho, minha filha também...





segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Eu, Você, Todos pela EDUCAÇÃO

5 metas Que o Brasil precisa alcançar até 2022:

Meta 1 – Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola
Meta 2 – Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
Meta 3 – Todo aluno com aprendizado adequado a sua série
Meta 4 – Todo jovem com o Ensino Médio concluído até os 19 anos
Meta 5 – Investimento em Educação ampliado e bem gerido

(Campanha de mobilização pela qualidade da Educação, coordenada pelo movimento Todos Pela Educação. )



Site Oficial: Todos Pela Educação

Pigmeus: os defensores da floresta

Vivem no meio da floresta escura e chuvosa. São bem pequenos, mas os mais ágeis dos seres humanos. Dominam os segredos da floresta e são os seus defensores. Conheça as curiosidades e aventuras do livro “Pigmeus, os defensores da floresta.”




O livro é uma boa oportunidade para apresentar aos alunos um pouco mais sobre a cultura e os costumes do continente africano.

Natal Mágico


CD XSPB 9 Natal Mágico, disponível para download RAR
(click na imagem)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Pedido de desculpas:


Nossa, toda educadora sofre e curte muito este mês.
Tem festival, provas, reunião de pais, decoração de envelopes, organização de pasta, fechamento de livros e semestres...
Então, esta foi a causa do meu sumiço, praticamente um abandono!
Mas estou de volta com muitas novidades e idéias acumuladas e desesperadas para serem divididas.
Obrigada a todos e todas as minhas fiéis seguidoras que não me esqueceram pois agora eu estou de FÉRIAS...
Oh delícia!

FéRiAs...

Esta mensagem foi entregue na minha última reunião de pais, os pais pareceram gostar da idéia...

Por eu continuar com a mesma turma isto foi possível, mas pode ser transferido para as férias de julho também!

Segue a dica!

SAQUINHO DE FÉRIAS

NESSE SAQUINHO VOCÊ VAI JUNTAR COISAS DAS SUAS FÉRIAS:
SE VOCÊ LEU ALGUMA COISA LEGAL, GUARDE AQUI:
SE FOI CONVIDADO(A) PARA ALGUM ANIVERSÁRIO, GUARDE O CONVITE
OU ALGUMA COISA DA FESTA AQUI;
SE VOCÊ CHUPOU UM PICOLÉ GOSTOSO, GUARDE O PALITO AQUI;
SE TIROU ALGUMA FOTO GUARDE-A AQUI;
SE VIU ALGUM FILME OU DESENHO LEGAL, SE BRINCOU COM ALGUM BRINQUEDO
OU BRINCADEIRA LEGAL ESCREVA O NOME EM UM PAPELZINHO E GUARDE AQUI;
E TUDO MAIS O QUE VOCÊ QUISER E TRAGA-O CHEINHO NA VOLTA AS AULAS!
BOAS FÉRIAS!

As férias estão chegando vamos aliá-la a uma aprendizagem significativa?
As crianças levarão esses saquinhos para casa no último dia de aula e guardarão nele coisas que lembrem suas férias: nomes de filmes e desenhos que viram e acharam legal, nomes de brinquedos e brincadeiras que brincaram, lembranças de festas que foram, embalagens de coisas gostosas que comeram, fotos de passeios que fizeram...
Quando retornamormos em JANEIRO / FEVEREIRO faremos aquele momento de como foram as férias de forma muito mais concreta e significativa com tudo que colecionaram no saquinho de férias.